Cirurgia refrativa em Natal: o que avaliar antes de marcar a consulta
Muita gente chega ao consultório com a decisão praticamente tomada. Pesquisou na internet, leu relatos em grupos, talvez alguém próximo já tenha operado. A cirurgia refrativa tem alta satisfação entre os pacientes que são candidatos — e é exatamente por isso que a pressão para marcar sem avaliar direito é real.
O problema não é a cirurgia. O problema é quando ela é feita em quem não deveria fazer.
Este artigo explica o que é avaliado antes de qualquer indicação de cirurgia refrativa, por que nem todo míope é candidato e o que esperar da consulta de mapeamento.
O que é cirurgia refrativa
Cirurgia refrativa é qualquer procedimento que corrige erros de refração — miopia, hipermetropia e astigmatismo — reduzindo ou eliminando a dependência de óculos e lentes de contato.
As técnicas mais usadas hoje são:
- LASIK — o laser remodela a córnea por baixo de um retalho fino levantado na superfície. Recuperação rápida, indicado para a maioria dos casos de grau moderado.
- PRK — o laser age diretamente na superfície da córnea, sem retalho. Recuperação um pouco mais lenta, mas preferido quando a córnea é mais fina ou o paciente pratica esportes de contato.
- ICL (lente fácica implantável) — não usa laser. Uma lente é implantada dentro do olho, na frente do cristalino. Indicado para graus altos ou córneas que não se adaptam ao laser.
A escolha entre as três não é preferência do médico nem do paciente — é resultado dos dados do mapeamento.
Por que a avaliação de candidatura é obrigatória
A córnea tem uma espessura média de 500 a 550 micrômetros (menos de um milímetro). O laser remove tecido para corrigir o grau. Se remover demais, a córnea fica fraca — e há risco de uma condição chamada ectasia pós-LASIK, que se assemelha ao ceratocone.
Por isso, a avaliação de candidatura inclui:
- Topografia e tomografia corneal — mapeiam a curvatura e a espessura da córnea em toda a sua extensão, identificando irregularidades que contraindicam o laser
- Paquimetria — medição precisa da espessura corneal no ponto central e na periferia
- Teste de olho seco — o laser pode agravar olho seco preexistente; caso severo é contraindicação
- Refração sob cicloplégica — avalia o grau real, sem a interferência do músculo ciliar
- Biomicroscopia e fundo de olho — descarta condições como retina fina, que podem ser afetadas pela pressão do procedimento
Esse conjunto de exames leva uma consulta inteira. Não é possível determinar candidatura por questionário ou por telefone.
Quem não deve fazer cirurgia refrativa
Há contraindicações absolutas e relativas. Entre as absolutas mais comuns:
- Ceratocone ou suspeita de ceratocone na topografia
- Córnea com espessura insuficiente para a remoção do grau com margem de segurança
- Grau instável nos últimos 12 meses
- Olho seco severo não controlado
- Doenças autoimunes ativas que comprometam a cicatrização
Nenhuma dessas condições aparece num exame de vista comum. Aparecem na topografia e nos exames de candidatura.
O que esperar da consulta com o Dr. Anderson
A consulta de avaliação dura em média 40 a 60 minutos e inclui todos os exames citados acima. Ao final, o Dr. Anderson explica o resultado com os dados na tela: se você é candidato, qual técnica faz sentido e por quê; se não é, qual a razão e se há alternativas.
A cirurgia só é agendada quando você se sente seguro para decidir. Não há pressão por decisão imediata na consulta.
Pacientes em Natal e Parnamirim podem ser avaliados na Clínica Santa Beatriz (Tirol). A cirurgia, quando indicada, é realizada no Hospital de Olhos de Parnamirim.